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Internet: será que estamos usando corretamente?

Exemplos práticos e definições em linhas gerais segundo o pensamento de Pierre Lévy, Manuel Castells e Nicholas Negroponte.

Empregam-se à Internet - que cada vez mais ganha utilidades distintas - os conceitos de velocidade, praticidade e, principalmente hoje, agilidade, tendo em vista as variadas ferramentas que ela proporciona aos usuários, ao menos tentando seguir os preceitos acima citados. Fazer compras, se informar, movimentar a conta bancária e até mesmo encontrar um parceiro. Todas essas finalidades ficaram acessíveis com o advento da grande rede mundial de computadores; no entanto, à mesma velocidade em que novos bons frutos vão aparecendo, a quantidade de vírus disseminados, hackers e toda sorte de atitudes de má fé contra os internautas cresce desenfreadamente, dificultando a vida de quem usa a rede até mesmo para trabalhar. Mas de quem é a culpa?
A sociedade de quarenta anos atrás, estruturada em regras de convivência mais rígidas, tinha basicamente - no que se refere à comunicação - uma demanda de informações gerais, lineares, que não abriam espaço para a diferença de conteúdos e, mais importante, interesses; o leitor detinha a possibilidade de se inteirar a respeito de notícias gerais, do mundo (ou de seu país), sem distinção de interesses e localidades. Hoje, o internauta se perde em meio a tantas possibilidades de pesquisa e informação - e pode entrar em detalhes somente a respeito de informações relevantes para si. Nota-se, assim, a nova tendência de personalizar a grande rede.
O exemplo supracitado ilustra de modo geral o que Pierre Lévy diz em Tecnologias da inteligência sobre as mídias com conteúdos gerais, amplos, atingindo grandes massas (o que ele chama de broadcasting), mostrando em contrapartida os novos meios, que definem áreas de atuação díspares e com interesses também distintos (denominados de narrowcasting). Como se percebe, dada a amplitude da Internet na sociedade da informação on-line que se configura hoje, existe certa vantagem para aqueles meios que priorizam temas de determinadas comunidades, haja vista a velocidade com que tudo acontece e a plêiade de novas informações diárias. Dessa forma, a procura pela notícia concisa, em seu detalhamento maior, é de maior importância e define a tendência comunicacional vindoura.
Em contrapartida, os novos serviços que a web oferece a seus usuários tendem a chamar a atenção dos "bandidos virtuais" - como exemplo, podemos citar o netbanking. As movimentações financeiras cada vez mais acessíveis - e, também, sua utilização crescente, dada a comodidade que proporcionam - abrem espaço aos crimes na rede. Não é raro a TV noticiar que determinada pessoa ou empresa foram roubadas em relativa quantidade de dinheiro, e a falta de segurança do sistema que mantém o serviço é sempre o motivo. Mas por que, dispondo de tanta tecnologia, ainda há falhas tão grandes na Internet? Hoje, mais fácil é dizer onde não há erros. O ato de personalizar o uso e os conteúdos da grande rede mundial de computadores, conquanto facilite nossa vida e abra uma grande quantidade de novidades, chama a atenção e cria interesse em criminalizar esses meios, fazendo com que senhas sejam roubadas e contas, duplicadas. O serviço bancário on-line, no entanto, é só um dos vários casos que se multiplicam diariamente.
Dessa forma, é verificada uma nova tendência de que, embora apresente variantes perigosas, ninguém - principalmente no mundo da tecnologia - está a fim de largar. O broadcasting, com cada vez mais sub-narrowcastings, se apresenta como potência na comunicação. Cabe a nós acatar ou, no mínimo, nos adaptar a ele.fraudes.JPG
Nicholas Negroponte, outro autor que tem em sua obra material voltado à tecnologia, nos faz pensar a respeito da "burrice" dos computadores, mesmo os atuais, que já deveriam dispor de ferramentas de reconhecimento do usuário, premeditando sua utilização e algumas características próprias de uso. Por meio de exemplificações que remetiam a hoje - embora o livro em referência (A vida digital) tenha sido escrito nos anos 90 -, Negroponte sucita a questão sobre a real inteligência das máquinas, as quais mesmo com muita independência e funcionalidades, necessitam de um "empurrão" humano.
Seguindo essa linha de pensamento, pode-se dizer que todos os crimes que ocorrem na Internet dependem de falhas humanas; não se pode creditar a culpa pelos vandalismos on-line somente à máquina, já que ela, em algumas situações, só projeta o que desejamos. Confuso? Talvez não tanto, se você parar e pensar o quanto teve de ser pesquisado e desenvolvido para que chegássemos ao estado de desenvolvimento científico-tecnológico que está aí hoje.
A segurança na rede, mais do que uma necessidade, aparece como artigo raro, cada vez mais escasso, haja vista a pluralidade de vias para se burlarem os sistemas de segurança existentes. Mais uma vez, o ser humano é quem dita se ainda tem jeito ou não o uso da Internet, visto que, como diz Negroponte, a máquina somente age de acordo com o que o homem solicita. Assim, não há como prever uma solução aparente para o problema de segurança na Internet; nos resta apenas desejar que sejam criadas maneiras realmente eficazes contra qualquer ameaça on-line ou almejar que os internautas parem de agir inescrupulosamente, como vê-se com freqüência hoje. Os computadores refletem o que o ser humano é, e essa tendência só mostra como o espaço homem-máquina está ficando cada vez menor.




Uelinton Costa ®







Referências pesquisadas sobre os autores e o tema:

http://www.pfvasconcellos.eti.br/downloads/graffiare_speciale.pdf

http://www.liinc.ufrj.br/en/attachments/055_saritalivro.pdf#page=27