2.3 - Cronologia:

História da realidade virtual

fone de ouvido
fone de ouvido

Foto cedida por Atticus Graybill
da Virtually Better, Inc.
Um display montado no topo

O conceito de realidade virtual existiu durante décadas, mesmo que só tenha chegado ao conhecimento do público no início dos anos 90. Em meados da década de 50, um cineasta chamado Morton Heilig achou que a experiência no cinema estimularia todos os sentidos de seu público, levando-o para dentro das histórias de maneira eficaz. Em 1960, construiu um console de usuário simples, chamado Sensorama, que incluía um display estereoscópico, ventiladores, aromas, alto-falantes estéreos e uma cadeira móvel. Ele também inventou um display de televisão montado no topo, para que o usuário pudesse ver TV em 3-D. Os usuários eram públicos passivos para os filmes, mas muitos conceitos de Heilig encontrariam seu caminho no campo da RV. Os engenheiros da Philco Corporation desenvolveram o primeiro HMD, em 1961, chamado de Headsight. O capacete incluía uma tela de vídeo e um sistema de rastreamento, que os engenheiros ligavam a um sistema de câmera de circuito fechado. O objetivo era que o HMD fosse usado em situações perigosas - um usuário poderia observar um ambiente real, remotamente, ajustando o ângulo da câmera ao girar a cabeça. A Bell Laboratories usou um HMD semelhante em pilotos de helicóptero. Ligaram os HMDs a câmeras de infravermelho presas na parte inferior dos helicópteros, que permitiam que os pilotos tivessem um campo de visão claro ao voarem no escuro. Em 1965, um cientista da computação chamado Ivan Sutherland idealizou o que chamava de "Ultimate Display". Com esse display, uma pessoa poderia ver um mundo virtual tão real quanto o mundo físico no qual o usuário vivia. Essa visão orientou praticamente todos os desenvolvimentos dentro do campo da realidade virtual. O conceito de Sutherland incluía:

  • um mundo virtual que parece real a qualquer observador, visto através de um HMD e ampliado por meio de estímulos táteis e sonoros tridimensionais;
  • um computador que mantém o modelo do mundo em tempo real;
  • a capacidade dos usuários de manipular objetos virtuais de uma maneira intuitiva e realista.

Em 1966, Sutherland criou um HMD que era ligado a um sistema de computador. O computador fornecia todos os gráficos para o display (até aquele momento, os HMDs eram ligados apenas a câmeras). Ele usou um sistema de suspensão para segurar o HMD, já que era muito pesado para um usuário aguentar confortavelmente. O HMD podia exibir imagens em estéreo, dando a ilusão de profundidade, além de poder acompanhar os movimentos da cabeça do usuário, para que o campo de visão mudasse adequadamente à medida que o usuário olhasse ao redor.


Desenvolvimento da realidade virtual:

A NASA e o Department of Defense and the National Science Foundation financiaram boa parte da pesquisa e desenvolvimento dos projetos de realidade virtual. A CIA deu US$80.000 a Sutherland para a pesquisa. As primeiras aplicações foram principalmente na categoria de simuladores de veículos, além de serem usadas em exercícios de treinamento. Em virtude de as experiências de vôo em simuladores serem semelhantes, mas não idênticas a vôos de verdade, o exército, a NASA e as empresas aéreas instituíram políticas que exigiam pilotos para se ter um tempo de retardo significativo (pelo menos de um dia) entre um vôo simulado e um vôo verdadeiro caso seu desempenho real suportasse.

boom display
boom display

Foto cedida pela NASA
Um BOOM Display usado pela NASA para simular o espaço

Durante anos, a tecnologia da RV esteve longe dos olhos do público. Praticamente todo o desenvolvimento concentrou-se em simulações de veículos até a década de 80. Então, em 1984, um cientista da computação chamado Michael McGreevy começou a experimentar a tecnologia da RV como uma forma de desenvolver projetos de HCI (human computer interface (interface de computador humano). A HCI ainda exerce um papel importante na pesquisa da RV; além disso, leva ao conhecimento da mídia a idéia de RV alguns anos depois.



Jaron Lanier inventou o termo realidade virtual em 1987. Nos anos 90, a mídia se prendeu ao conceito de realidade virtual e passou a trabalhar com ele. As propagandas deram a muitas pessoas uma expectativa fantasiosa do que as tecnologias da realidade virtual poderiam fazer. Como o público percebeu que a realidade virtual não era tão sofisticada como imaginava que fosse, o interesse acabou. O termo realidade virtual começou a desaparecer junto com as expectativas do público. Atualmente, os desenvolvedores de AV procuram não exagerar nos recursos ou aplicativos dos sistemas de AV, além de tenderem a evitar o termo realidade virtual.